01 outubro, 2010

Afinal nada do que parece é.

Pelo menos neste caso.
E é por isso, e por outras tantas razões inexplicáveis e insustentáveis, que aqui se vai fazer um intervalo por tempo indefinido. Talvez seja mentira, e volte ainda mais cedo que o costume para desafiar o já esgotado óbvio.
Ou talvez o seja mesmo, para alivio ou perdição da vontade, porque até eu me canso. De quê? De tentar. O que não quer dizer que não fique à espreita, até porque não ficar já seria pedir-me demasiado.
Portanto aqui fico, mais ausente nas palavras escritas, mas mais real nos pensamentos.
Até que haja uma história verdadeiramente merecedora de a contar aqui...
Para lá da porta que, para já, se manterá aberta.

29 setembro, 2010

Assim como um dia o sol andou à volta da terra…

Enquanto as lágrimas lhe escorrem relutantes pela cara engelhada de constrição – não vão elas se esgotar pela tão forte torrente – ele esforça-se para se olhar de frente para o espelho. É um dos seus segredos: ficar assim, de olhos fixados nos seus, trocando o desfecho pela estrada, enquanto olha com pena aquele desconhecido, alagado por fora, seco por dentro, resumido à imagem que quem está de fora pode ver – ou sabe ver. Com pena, sim, porque não conhece um mal maior que possa oferecer àquela imagem vaga, que os outros encontram na rua e maquinalmente cumprimentam – Bom dia. Tudo bem? – e ele responde da única maneira que sabe – Sempre.
Depois, guardada mais uma pesada e não dada resposta, troca os suspiros por um espelho, agarra o tempo que vive calado com as duas mãos fechadas, e assim fica, até que a vergonha ou a falta de razões cessem as lágrimas, mais uma maré de tantas, e aos poucos se vá reconhecendo no espelho embaciado de pudor.
É nessa altura que sai de casa, e em passos largos e sedentos percorre até à exaustão física aquelas ruas que não foram feitas para carros, e que de tanto se perder nelas de forma propositada, já conhece tão bem.
Extenuado, aproveita então a escadaria da igreja para recuperar o fôlego, enquanto as pessoas que passam sem dar pela sua presença esbatida nos degraus empoeirados, lembram-lhe que o tempo não tira folga. É quando ele a vê. Parece não ter pressa, enquanto vaga entre a lufada de gente esfomeada que àquela hora se esgueira para casa ou para o restaurante do costume para recobrar as energias. Ele tinha que aproveitar aquele momento. Não podia deixar que ela se fosse embora sem sequer tentar falar com ela. A custo, como se o cansaço nas pernas se tivesse estendido a todo o corpo, e encandeado por aquele dia coberto de nuvens fulgentes, levantou-se das escadas, inspirou a meio gás, porque fundo já não o sabia fazer, e avançou na direcção dela.
Quando chegou ao seu encontro, ela empunhava uma máquina fotográfica acima da cabeça, apontando-a para o topo de uma árvore, já despido pelos primeiros ares do Outono.
- Olá - interrompeu ele - preciso de te pedir uma coisa.
Sem olhar para ele, ela começou a ver na máquina as fotografias que tinha tirado e voltou a apontar a objectiva para o céu
- Está bem. Mas primeiro eu preciso de ter a certeza que és tu.
- E como é que eu faço isso?
- É simples… - virando-se para ele, ela estende a máquina fotográfica na sua direcção e de um rosto sério que nela nunca antes vira, ele ouviu
- Dá-me um nome.
Ele aceitou a máquina com as duas mãos e ergueu-a na direcção dos olhos para a fotografar. Mas quando espreitou pelo pequeno ecrã da máquina apenas encontrou o tronco rasurado de uma enfraquecida árvore, desfolhada e amarela. Ela tinha desaparecido. E ele sorriu.

24 setembro, 2010

O frio tem destas coisas. E o pensar nele também.

Sair é fácil. Abandonar não custa. Dizer adeus é diferente. Implica dar a cara, dar a voz, inventar uma expressão que não pareça absurda. Ter a coragem de olhar para o lado ou a falta dela para olhar nos olhos. Para lá dos olhos. Dizer adeus é difícil. Acordar num dia de inverno é difícil. O querer não acordar, não ter que ver o dia nublado ou, na melhor das hipóteses, de chuva. Há quem diga que gosta de chuva. Eu também gosto de chuva. Quando não tenho que sair de casa. Quando estou na minha casa. Mas quando chove eu tenho sempre que sair de casa e nunca estou na minha casa. E depois lá vai ela, dividida avulsa de contornos assimétricos, entre aquela que enverga o tem que ser, em modo automático de manifestação, e a outra, a do nunca poderá ser. A última vai sempre guardada na mala, escondida das gentes – ou do céu nublado – espreitando de quando em vez com os olhos fechados, o ar húmido e triste das casas vazias de laços, que invariavelmente lhe chega aos ouvidos resistentes acompanhado do ruído do colchão da cama a ceder à passividade da desaceleração do ser, e da música a soar baixinho, indolente... O que nos vale é o chocolate. Como eu odeio o inverno.

14 setembro, 2010

A fonte

Em frente ao velho espelho enferrujado, ele lavava as palavras antes de as repensar. E enquanto as soletrava apertadas entre si, perfumava-as e enfeitava-as com todas as vírgulas e entoações que conhecia, experimentando-as, atraiçoando-as, enquanto ousava combiná-las com os sorrisos que tinha ensaiado e com os olhares que mais tarde inspirariam as palavras geradas para suavizar o momento: as espontâneas, e as cercadas de arame farpado, dissimulado pela brisa do fim de tarde. Em frente ao espelho enferrujado que podia não ser velho, vestiu o seu melhor fato, que guardava sigilosamente numa grade de madeira forrada com jornais desde o dia em que lho ofereceram sem saberem. Com as mãos molhadas de ansiedade, ajeitou e desajeitou o cabelo desgrenhado até que não parecesse o seu. E condecorou-se. Bajulou-se. Sentado na cama de colchão de palha, onde os pés não tinham direito a um espaço assente para repousar, engraxou o bico dos sapatos, que de baile só conheciam o da lavoura diária. Encheu o peito de ar e de perfume, levantou a pesada porta de madeira que se confundia com o soalho do sótão e desceu as escadas de mão ante mão e de pé ante pé, com o cuidado de quem se pode desfazer em realidade através de um qualquer contacto imprevisto com o que já lá estava antes da história começar. Hoje não era um dia qualquer. Ia vê-la.

De costas para o altivo espelho de moldura dourada, ela repensava as palavras que não haveria de dizer. Olhava para a janela recortada pela cortina de organdi azul e adivinhava o tempo que não iria ser de chuva. Do guarda-fato de madeira robusta esculpida, só lhe surgiam vestidos vistosos, de folhos exuberantes e cores fartas. Nada do que ela procurava. Sem olhar para o espelho que a aguardava, tirou debaixo da cama um baú de madeira bem cuidada, apesar do pó inevitável, e abriu-o esperançosa. No formoso baú encontrou uma boneca de porcelana, de cabelo loiro e olhos azuis; duas fotografias de família amareladas pelo tempo em que não olharam para elas; e dois rolos de tecido branco, baço, que ela desenrolou com um sorriso florido nos lábios. De sonhos numa mão e tesoura noutra, em meia hora, porque não era preciso mais, tinha um vestido simples e pobre, brilhante, deleitado em cima das exageradas dimensões da sua cama, feita à partida para o seu corpo de menina. De vestido leve no corpo e cabelo por arranjar, foi a correr que ela trespassou o austero portão de ferro da sua casa, em direcção à fonte da vila.

Quando ele chegou à fonte, ainda o sol rejubilava alto, encandeava a calçada e fazia lacrimejar a mármore salpicada pela água que corria fresca da nascente decorada. Pelo calor ou pela falta de afazeres na rua àquela hora, a vila parecia deserta. Não havia viva alma naquela praça que pudesse presenciar o tão esperado encontro que ali ia ter lugar. Sentado no beiral da fonte, sentia-se derreter debaixo do fato mal engomado. O suor manchava-lhe a camisa e os pensamentos – e o relógio que não tinha, teria sido útil para lhe dizer que ela não iria chegar. Sem relógio, ele esperou sentado, resistindo à tentação que o assolava de minuto a minuto, em aliviar a estância de brasas em que se tornara a sua cabeça, na corrente límpida, nessa hora divinal, que para além da companhia lhe daria esperança, mas que lhe desmancharia o penteado.
Desolado pelo que não conseguia explicar, deixou a fonte sem olhar para trás e, no mais vagaroso passo que conhecia, carregou as palavras ao colo, adormecidas pelo embalo, até ao reconforto do seu pequeno sótão.

Quando ela chegou à fonte, o sol parecia-lhe então atordoado, graças aos tecidos coloridos regados de flores que os populares haviam pendurado das varandas e que cobriam quase toda a praça, providenciando-lhes a sombra desejada. Era dia de festa na vila. Parecia-lhe impossível como é que naquela pequena praça havia espaço para uma vila inteira de habitantes, os seus visitantes, e para as suas danças festivas em redor do acordeonista. Crente de que ele a chamaria quando a visse, centrou-se em procurar um lugar sobre a mármore fresca da fonte, mas por sinal havia bem mais pessoas com o mesmo propósito que ela. Por isso, e porque não era importante, esperou de pé. O relógio que havia herdado da sua mãe como testemunho de outras gerações que a antecederam, dizia-lhe que o tempo passava depressa e que, pior que isso, já tinha passado várias vezes no mesmo dia por aquele mesmo sitio, pela mesma fonte, deixando-a lá uma e outra vez, à espera. A brisa de fim de tarde chegava, por entre a multidão agitada, silenciosa, ociosa, dando asas à imaginação e pernas à paciência. E ela aceitava-a benevolamente, como a um copo de água que não se rejeita, enquanto se imaginava de pé sobre o beiral da fonte, de braços abertos a recebê-la, numa praça então vazia de gente e cheia de vida. Quando acordou desse estado de não acordado sem dormir, a festa já tinha acabado, e deu por si sozinha junto à fonte a fixar, sem intenção, uma senhora que apanhava agora do chão os desperdícios que das festas sempre restam.
Ao não saber o que haveria de pensar, ela não pensou. E seguiu para casa.

Ele, que não dormia, nessa noite dormiu e sonhou com ela.
Ela, que dormia sempre, nessa noite não dormiu e sonhou com ele.
Porque o que eles não sabiam é que na pequena vila onde moravam havia duas fontes.




***
(Apesar de conhecer bem o sitio, a fotografia não é minha, foi retirada da net. Nela podem ver a fonte dos amores, em Portalegre. Apesar de agora estar um pouco diferente devido às obras que fizeram no local, continua a ser um ponto de passagem obrigatório para quem sobe a serra de S. Mamede e gosta de, de vez em quando, se desligar de tudo por uns instantes e desfrutar de uma paisagem bonita.)

08 setembro, 2010

From choice to change.

Para quem não sabe, hoje é o Dia Mundial da Fisioterapia.
Portanto, não se esqueçam de lhe dar os parabéns.
=)

07 setembro, 2010

Daquela menina e moça.















Estas fotografias foram tiradas no dia em que eu descobri o verdadeiro significado de… colinas! Tal não é o meu espanto quando em vez das muralhas que perseguia com os olhos desde o rossio, encontro a bela da vista do Largo da Graça, e vejo os benditos pedregulhos no monte ao lado. Não que isso fosse um problema, muito pelo contrário. Não há nada como descobrirmos por nós mesmos um sítio bonito, principalmente se for sem querer. Portanto, só tive que descer e voltar a subir. Quando por fim cheguei à entrada do castelo, acabei por nem entrar (sim, não me apeteceu pagar para ver Lisboa, quando a posso ter toda de graça). Seja como for, o principal já tinha visto e percorrido: porque a meta era o caminho.
Depois de um belo corneto numa mini esplanada à entrada do castelo lá fui eu, por entre estendais de roupa esbranquiçada; senhoras à janela a conversar, que desviam a conversa e o olhar à minha passagem, desconfiadas com aquela não esperada visita; crianças a correrem por aquelas pedras escorregadias, sujas de tempo; e cada recanto daquela cidade a pousar debaixo do sol, extasiado, completo. E os cheiros… não, Lisboa não me cheirou a flores, mas à medida que percorria o bairro de Alfama (sem saber ao principio que era aí que me encontrava), foram tantos os perfumes que aí fui reconhecendo e saboreando como familiares, como crus, genuínos, que parei - e reparei - que naquele sitio tão diferente daqueles a que me ensinaram a chamar como meus, também se criam vidas, endereços, lares. Pessoas. As pessoas que fazem esses lares.
E assim continuei, num cansaço unicamente de corpo, a descer por entre as ruelas que ali são avenidas. E a encantar-me. Por uma cidade que a obrigação não me deixava ver, e a rejeição à priori não me deixava sentir.
Quem sabe se um dia não falarei em saudades desta terra. Onde falando sou turista, mas que, e talvez por isso, gosto de a viver.

02 setembro, 2010

Gargalhada aluga-se.


Como já alguém dizia...
Também isto vai passar.
Até lá?
Não sei.

Também tenho direito a não saber de vez em quando.
A fechar os olhos, a fingir que tapo os ouvidos.
A não ser racional.
A cancelar-te e dizer que é normal.

01 setembro, 2010

Falemos só do que é importante. Só hoje.

“A máquina fotográfica pode revelar os segredos que o olho nu ou o espírito não captam, tudo desaparece excepto o que focámos no quadrado. A fotografia é um exercício de observação e o resultado é sempre um golpe de sorte. Essa procura é sobretudo espiritual. Procuro verdade e beleza na transparência de uma folha no Outono, na forma perfeita de um caracol na praia, na curva de umas costas femininas, na textura de um antigo tronco de árvore, mas também noutras formas escorregadias da realidade. Algumas vezes, ao trabalhar com uma imagem no meu quarto escuro, aparece a alma de uma pessoa, a emoção de um evento ou a essência vital de um objecto, nessa altura a gratidão explode no meu peito e ponho-me a chorar, não consigo evitá-lo. É para essa revelação que aponta o meu ofício.”

Retrato a sépia, Isabel Allende.

E é também por isso que eu não troco um álbum de fotografias por um vídeo. Porque, a não ser que passemos a mesma cena uma e outra vez, ainda assim, haverá sempre uma tendência para vermos aquilo que quem filmou viu, aquilo que os que foram filmados viram, passando-nos mais uma vez despercebidos, os pormenores da realidade que poderiam mudar toda a história.
Uma fotografia dá-nos tempo, para percorrê-la, palpá-la. Numa fotografia temos uma parte daquele que é fotografado, guardado; temos aquilo que quem o fotografou tentou guardar; e temos aquilo que aquele que a pôde ver mais tarde observou, sentiu. É aí, algures entre cada um destes instantes, que repousa a verdade. E é através dela, que eu troco a memória pela imaginação e procuro as recordações que não tenho; que tento ouvir aquele tom de voz que imagino pelos contornos da face e do pescoço adornado; que tento sentir aquele cheiro que se adivinha pelos cabelos encaracolados e a roupa imaculada. E, acima de tudo, tento comparar com aqueles que conheço, os traços, as cores que estão para além do preto e do branco, os gestos e os jeitos que se desvendam pela forma da boca, dos olhos, do nariz, e que me garantem que aquela pessoa que ali vejo, continua presente, ainda que, por pedaços repartidos entre os seus.
Esta jovem, que aqui vos deixo hoje, chama-se Brígida. Morreu quando eu tinha 4 anos havia 4 dias.

29 agosto, 2010

Como se isso fizesse diferença.

"Nem tudo é festa, porém, ao lado de uns quantos que riem, sempre haverá outros que chorem, e às vezes, como no presente caso, pelas mesmas razões."
in "As Intermitências da morte"

26 agosto, 2010

Coisas de quem não tem nada que fazer...

Encontrei este desafio noutros blogs e não resisti a experimentar também.

O desafio consiste em:
* Pôr o Windows Media Player em modo aleatório;
* Carregar «seguinte» para cada pergunta;
* Usar o título da música como resposta a cada pergunta, mesmo que não faça sentido e sem fazer batota.

Eis o resultado...

1- Como te sentes hoje?
Muse- Unintended
2- Vais ser alguém na vida?
Vasco santana - Fado do estudante (xD)
3- Como os teus amigos te vêem?
Sarah Brightman -I dreamed a dream
4- Vais casar?
Daniela Mercury - À primeira vista
5- Qual é a música do teu melhor amigo?
Simple Plan - Welcome to my life
6- Qual é a história da tua vida?
Vanessa da Mata - Nossa canção
7- Como é que foi a escola secundária?
Celine Dion - Because you loved me
8- Como é que podes ir adiante na vida?
Yann Tiersen - La valse d'Amelie
(A dançar, lá está xD)
9- Qual é a melhor coisa nos teus amigos?
Greenday - Wake me up when september ends (ui!)
10- O que é que está «in» esta semana?
Xutos e pontapés - Circo de feras
11- Como é a tua vida?
Celine Dion - Let's talk about love (-.-)
12- Que música vai tocar no teu funeral?
Celine Dion - Dans un autre monde (LOL)
13- Como é que o mundo te vê?
Rui veloso - Jura
14- Vais ter uma vida feliz?
James Blunt - You're beautiful
15- O que é que os teus amigos REALMENTE pensam de ti?
Reamon - Strong
16- As pessoas têm inveja de ti?
Avril Lavigne - When you're gone
(ya, quando me vou embora lol)
17- Como te podes fazer feliz?
Kelly Clarkson - Addicted (LOL)
18- Com que música fazias um striptease?
Faith Hill - Breath (não me parece..)
19- Se um homem numa carrinha te oferecesse um doce, o que farias?
Dulce Pontes - Estranha forma de vida (xD)
20- O que é que a tua mãe pensa de ti?
Alanis Mourissette - Offer
21- Qual é o teu segredo mais escuro e profundo?
Mafalda Veiga - Era uma vez um pensamento teu (*.*)
22- Qual é a música do teu inimigo mortal?
Mariah Carey - Through the rain
23- Como é a tua personalidade?
Luis Represas - Ao canto da noite
24- Qual música vai tocar no dia do teu casamento?
Shania Twain - You're still the one
25- Que música vai tocar na tua lua de mel?
The Corrs - Run away
(LOL, ainda ontem era o único xD)

26- O que os desconhecidos acham de ti?
Natalie Imbruglia - Shiver
27- Amanhã vais dar um concerto, com que música inicias um concerto?
Ana Carolina - Aqui
28- Com que música encerras o concerto?
Evanescence - My immortal
29- Que música dançarias em frente ao teu ídolo?
Norah Jones - The prettiest thing
30- Se te visses em apuros como é que sairias dessa situação?
Melissa Ferrick - Drive
(Nem sei que música é esta xD)
31- Com que música patinarias no gelo?
Sarah Mclachland - Possession
32- Que música define a tua passagem de ano novo?
Christina Aguilera - Nobody wants to be lonely
33- O que dirias àquele prof que odeias?
The Fray - How to save a life (lol)
34- O que dirias se tivesses de te despedir dos teus pais?
Pink - Who knew
35- O que dirias a uma pessoa que estivesse a morrer à tua frente?
Marisa Monte - Pra ser sincero
36- O que dirias ao telemóvel com uma pessoa que te estava a irritar?
Delta Goodream- Innocent eyes
37- Quando vês um amigo triste, o que fazes?
Lara Fabian - To love again
38- O que farias à/ao tua/teu irmã/irmão quando ela/ele te irritasse?
Natalie Imbruglia - Big mistake
39- O que dirias à tua mãe?
Whitney Houston - I will always love you
40- O que dirias ao teu pai?
Sara Tavares - Eu sei
41- O que farias ao teu cão caso ele partisse algo importante?
Black eyed peas - Don't lie
42- O que dirias ao Director da tua escola?
Ivete Sangalo - Faz tempo
43- Se fosse enfermeiro o que dirias a uma criança que ia apanhar uma vacina?
Beyonce/Shakira - Beautiful liar
44- O genérico de uma novela, qual era?
Tony Braxton - Unbreak my heart
45- Se cantasses uma música com o teu ídolo qual seria?
NickelBack - How you remind me
46- Se cantasses com uma pessoa que odeias?
Dido - Thank you (Claro! xD)
47- Que música irás cantar quando acabares este questionário?
Alicia Keys - No one =)


Experimentem! =P

23 agosto, 2010

"The rest is still unwritten."

Havia fado no coreto nessa noite.
As ruas praticamente intransitáveis devido à enchente de carros enfileirados à procura de um recanto para se acomodar, em lugares que já estão para além de ocupados, denunciam a chegada de mais uma noite de verão, numa cidade que se vê alumiada e pronunciada em relativos sotaques por esse país adentro, sem saber ao certo como, ou desde quando, terá passado de um porto calmo a um cortejo de transeuntes bronzeados a cheirar a protector solar e sardinhas. Não fosse o meu desejo por calor e por sol sempre disponível, quase que me revezaria por aclamar a chegada prematura do inverno, perante esta confusão de pessoas e respectivos altifalantes, que não me deixam sequer ver onde calco os curtos passos.
Avizinhando-me do coreto, paro agora para aliviar a vista esfalfada de ver vultos e chão, e tento-me concentrar naquele doce excerto de nós que ali se apregoa, sem que lhe seja dado o devido valor. Duas senhoras, jovens, nos cantam alternadamente lá do alto, fados imortalizados por outras vozes, para consolo dos que ali ainda lhe concedem o devido silêncio, apesar do reboliço que a noite se vê rematada a suportar. Talvez por efeito da minha posição relativamente às colunas instaladas junto ao coreto, o som chega-me tosco, sendo-me difícil discriminar as palavras entoadas e percepcionar-lhes um sentido, o meu sentido. Na procura de perfeição, não para o que está a ser cantado, mas para o que me chega, circundo o público atento até os meus ouvidos me ancorarem mesmo de frente para as duas senhoras. Mas se os ouvidos se aquietam pelo lugar afortunado que encontraram, já os olhos descrentes e perplexos, se arregalam desconcertados, presos àquele em que não acreditam mas confiam, ali mesmo, indiferente, represado naquele momento, a pesados e curtos passos de distância, mesmo à sua frente. Os olhos que não encontram outros olhos, apenas um vulto de fábulas dissimuladas, fogem deliberados, cruzando no percurso entre a lua e o chão, o bater alvoroçado do coração, como quem encontrou o procurado.
É de olhos que não querem ver postos no chão, que me deixo levar pelo ritmo acelerado do coração atordoado, que sem hesitar perante o desejado, se desfaz em passos curtos e rápidos para longe, o mais longe, num constante desvio sem sinalização entre a distraída multidão.
“Por trás do espelho quem está, de olhos fixados nos meus?”
Já a música se deixara de ouvir havia quinze corridos e suados minutos e ainda as minhas pernas tremiam que nem varas verdes sobre areias movediças, embaraçadas com tamanha contradição de desejos. Porque elas não sabem que o que as move não é feito de obstinação, como não sabem que nem o que fica deve ser dado como certo; nem que a única ousada solução, seria dar como terminada a perfeição, rodar sobre os atritos do pensamento e correr para onde já não interessasse se haveria música ou não, porque a intenção já não seriam explicações anestesiadas, mas a possibilidade de agarrar no lápis e no papel amarrotado, libertá-lo das opressões inundadas de antecedentes, e riscá-lo como quem não sabe escrever ou não tem histórias para contar. Pintar um fundo denso sem sombras e desafiar as certezas que não deixarão de o ser, chegar ao pé de ti e, agora sim, poder dizer: “Olá, eu sou a Nádia. E tu?”. Como se fosse possível envergar outro caminho começando no mesmo ponto de partida. Como se a memória fosse só ficção manipulável, que se afasta ou se aproxima no ímpeto de chegar à outra margem, sempre à outra margem. Ou talvez seja.
E assim se muda de embarcação. Sem bagagem.

16 agosto, 2010

"Everybody needs inspiration"

"E de tanto procurar, de tanto ensaiar o que te diria quando por fim te sentisse chegar, passei a viver de uma outra forma. Contigo cá dentro. Minto, com a tua personagem cá dentro."

10 agosto, 2010

08 agosto, 2010

Para que não restem cá dúvidas...

Eles são mesmo geniais.
Na próxima oportunidade lá estarei outra vez.


"Sei que o amor é curto e deixa mossa, mas quero voar por favor."

06 agosto, 2010

"Through the tears and the laughter."













- E o medo tem cor?
- Tudo tem cor. Como tu. Tens medo do medo.
- E isso nota-se?
- Em ti tudo se nota.
In "Adopta-me"

05 agosto, 2010

"My Happy Ending"

Cada vez que ouço esta música lembro-me desse aniversário. Quantos anos fazia? Não sei ao certo – 16, 17? – não sei, a memória já não é o que era, apesar de ir dando para as curvas (nomeadamente para as mais perigosas, às vezes até dotada de uma descarada dose de indiscrição). Curiosamente ou não, não me deixa esquecer que nesse dia recebi uma bola de futebol que vinha dentro de um saco azul com uns golfinhos (até o saco era fenomenal), o qual eu recebi com uma aceleração de espírito e de movimentos de tal forma despropositada e inconveniente, que até hoje me suscita algum incómodo quando penso nessa passagem de testemunho, tão por mim forçada, entre mãos que, vejo hoje, nem sequer se conheciam.
Foi à noite, já mais calma, com todos os presentes sentados aqui e ali pelos sofás da sala, que por alguns momentos se fez silêncio e ficámos todos a ver o vídeo que estava a passar num qualquer canal de música, como passava tantas vezes. Para alívio da conversa ou dos que pesam pela falta dela, parece que veio no momento certo.
Cada vez que ouço esta música lembro-me desse aniversário e do significado que eu lhe dei na altura.
A bola – furada, gasta, sem cor – ao que parece já foi desencaminhada da despensa onde eu a guardava religiosamente, apesar da sua inutilidade, sem que me fosse sequer dada a oportunidade de tentar consentir o seu sumiço.
O significado, hoje parece-me infantil, presunçoso e irrelevante. Que aquela que eu era na altura me perdoe se ler isto.
A música, essa fica sempre. E, como tal, parece-me uma razão mais do que suficiente para a incluir aqui neste meu erário.

[Ao que parece não dá para ver o video aqui, mas como o que eu queria mesmo postar era o video oficial e não um combinado de música + letra, fica aqui à mesma. Quem quiser recordá-la só tem um trabalho: clicar :) ]

04 agosto, 2010






“Ouça meu bem: ao soar das doze a magia acabará. E tudo ao que era antes voltará.”

02 agosto, 2010

"Oh lord, what can I say?"

Ela hoje está mais ou menos assim... Tipo perigo de derrocada, está a ver?
Entretanto aconselha-se que mantenha a distância de segurança. Só alguma, não vá o diabo tecê-las e, em vez de ser a um bolo, sair a sorte grande a qualquer coisa bem mais importante. E com menos calorias.

01 agosto, 2010

"I choose to hide..."

"...But I look for you all the time."

Tantas vezes e em tantos cenários que, às vezes encontro-te, continuamente admiradíssima, como se tal facto não fosse possível de acontecer. Força do hábito.

30 julho, 2010

Próxima paragem?

"Não importa: era preciso talvez esta solução de continuidade, esta quebra, esta noite da alma que tantos de nós experimentámos nessa época, cada um de sua maneira, e tantas vezes de forma bem mais trágica e mais definitiva que eu, para me obrigar a preencher, não somente a distância que me separava de Adriano, mas sobretudo aquela que me separava de mim própria."

"Em certos momentos, aliás pouco numerosos, sucedeu-me mesmo sentir que o imperador mentia. Era preciso então deixá-lo mentir, como todos nós."


O que fica deste livro?
A igualdade. O comum. A insignificância em que nos tornamos sempre que nos focamos no ideal e no individualismo.
É preciso deixarmos de confiar tanto no garantido amanhã e na nossa aparente imortalidade.
Não, não descobri isto agora. Mas ficou mais evidente. E espero que vá ficando cada vez mais.

Enfim... Venha o próximo livro!
(Para alguma coisa hão de servir as férias)
Sugestões?

25 julho, 2010

Ela e os botões

- Já passou por mim duas vezes.
- Ele viu-te?
- Não.
- Tu viste-o?
- Também não.
- Deixa lá, mais luas cheias hão-de vir.
- Bolas!...

21 julho, 2010

"You're simply the best"




"Don't you worry,
Hold on tight.
I Promise you
There will come a day,
Butterfly fly away."
=)






(Apeteceu-me ! ^^)

19 julho, 2010

Clam[destino

Aquele não era só mais um espectáculo. E apesar de ninguém lho ter dito, ela sabia que essa certeza não lhe pertencia de forma exclusiva. Há muito tempo que sonhava com aquele solo: mas há muito menos tempo que sabia que pelo menos um lugar da plateia ia estar preenchido.
Enquanto aguardava pelo grito sempre pontual do Sr. João, admirava o nervosismo transparente, quase tocável, que irradiava dos gestos das bailarinas principiantes que se precipitavam como um novelo apertado sobre a abertura do cenário, na procura de um rosto que lhes certificasse que estava ali para as ver – como se isso fosse tudo, ou como se isso devesse sequer ser importante. Mal sabiam elas que quando entrassem em palco não iriam ver mais face alguma, ou presenciar qualquer conversa inoportuna, entre os previsíveis estrupidos de espanto ou o timbre dos sorrisos quando se consentem; que não iriam sentir mais nada além do ritmo da música que dissimula a verdade e corrige a aparente loucura, dando nome e catadura aos movimentos crus, abrasados, que lhes percorrem o corpo e dão vida a cada poro. Não sabem ainda, que a beleza está no desfrutar do que a visão não enxerga, e que a fantasia está no poder ser só corpo – aquele corpo que o pensamento quebrantado, enrugado, consegue agora vislumbrar do alto do chão onde se deleita, lamentando os estragos irreversíveis a que predispusera o seu exímio portador. Não sabem ainda, que é nessa distância sem pecados que se libertam e se abraçam dentro de si mesmas, até que a ultima nota da orquestra se erga até à cobertura do auditório e se consuma num leque de palmas crescentes.
Enquanto mergulha as quase estreantes pontas brancas na caixa de pó de talco junto do palco, por instantes, quase aceita negociar com o desejo e esquecer-se do sonho por ser em que está prestes a embarcar, ao lembrar-se do dia em que lhe disse que gostaria de tê-lo lá, o mesmo dia em que ele disse que não iria faltar, o mesmo dia em que ela teve a certeza. A sua primeira certeza.
Ao chamamento do Sr. João, Clara entrou no palco. O vestido azul que envergava salientava a leveza com que corria até à sua posição, como se soubesse voar. Porque nesse dia ela podia voar. Olhando uma última vez para o público, pousando além do sorriso que transpunha o óbvio, pode ver todos os lugares preenchidos: todos, menos um. Quando Yann Tiersen começou a tocar, só ela e os seus passos improvisados, mas sempre mais do que sentidos, ficaram. Porque não havia ninguém para ouvir o que a música lhes trazia, explicava, prometia. E entre o era uma vez e a palavra não proferida, a sala ficou vazia.

17 julho, 2010

Ainda alguém tem dúvidas?

Deus escreve torto por linhas direitas.
Precipita os abortos que não se querem espontâneos.
Nega as pazes às mentes já desfeitas,
Em adormecidos e paralelos, flagelos coetâneos.

Haja alguém que corte as asas à esperança,
Na única poda que para ela se conheceu.
Só não Lhe convenha pagar à cobrança,
A velha aliança que sem saber prometeu:
Entre a razão e as páginas em branco,
De quem mais mãe que filha nasceu.

“Ainda bem que Lisboa não é a cidade perfeita.”
Ou então não...

09 julho, 2010

01 julho, 2010

E eu não quero o mesmo Retrato outra vez.

Só é dono da verdade,
Quem a sabe partilhar.
De que te serve um jardim de raras flores,
Se não as puderes colher (ou será libertar?)
Perdes o tempo que marinas em água doce,
No arrastado receio de o ver desembarcar;
Esqueces que o vento onde quer que sopra
Nunca é para ficar.

A certeza também se cansa,
Ora não fosse de ar o seu alimento;
Mas é por terra que quer dar termo:
Às frases incompletas que só desejam mais tormento,
Aos sonhos perdidos no “e se” do arrependimento,
Às fábulas que nos ditam imploráveis,
O endereço das paixões vulneráveis.

Só não suplico, porque nem pedir sei,
Mas uma coisa te digo,
Mais importante que a verdade, só a sinceridade de a saber viver.
Será, o que tiver que ser.