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15 maio, 2009
06 maio, 2009
Abreviatura.
Era assim que eu gostava.
29 abril, 2009
Homenagem bem merecida.
Só para dizer isto:
31 março, 2009
Entreaberto
Pega no caderno, prepara o lápis, de ponta por afiar dirigida para o papel. Linhas azuis bem definidas, vazias, apoquentadas pela ânsia de servir, de carregar sobre a sua fragilidade a tinta grossa e penosa que faz jus às não vontades do seu criador, desenhando riscos flutuantes que aos poucos vão pousando como pó, sobre os carris incestuosos e paralelos, que a quem os fitar, gritarão palavras e palavrões circunscritos: populações analfabetas que jogam letras na roleta, para que se emaranhem e fecundem, numa fila descontinua e lacrimejada, de sortes e escolhas atiçadas, empurrando-se umas às outras por um lugar no inicio da página, no meio do verso, no fim do parágrafo.
Fica então entreaberto: o portão do jardim onde paira o seu retrato, balouçado pelo ar corrente que se afunila e se expande pela ranhura fresca e reluzente, e que inspiro, como um ópio particular.
21 outubro, 2008
Uma noite para comemorar, onde o mundo é um pouco de céu para quem jurou cumplicidade, de olhar preso ao lume vivo, espelho de cada lugar que é teu...
Um momento mágico. Minutos de pura inspiração, pelos quais toda a gente deveria passar pelo menos uma vez por dia, todos os dias. E a vida pareceria tão mais fácil...
É caso para dizer..." E que a Mafalda vos acompanhe!"
Bonita noite a de ontem =)
Obrigada aos intervenientes ! =)
"Mesmo que a vida mude os nossos sentidos,
E o mundo nos leve pra longe de nós,
E que um dia o tempo pareça perdido,
E tudo se desfaça num gesto só..."
Ainda assim, estão guardados.
09 outubro, 2008
08 outubro, 2008
Parágrafo.
O autocarro estava quase cheio. Um rapaz no banco da frente revirava-se de instante em instante tentando arranjar uma posição mais cómoda para dormir. A vários bancos atrás, um miúdo, talvez nos seus dois anos, abraçado à avó choramingava, chamando pelo irmão e pela mãe que tinha deixado para trás, onde ele já não estava. No banco imediatamente atrás, um homem, numa língua que não a delas, continuava o seu longo diálogo de intensas três horas (ou pelo menos para quem o ouvia). Conscientes e tranquilas, de auscultadores nos ouvidos, a Determinação e a Coragem, de decisões entrelaçadas e desenhos reflectidos, olhavam agora para a imensa Lisboa, disformemente matizada por milhares de pontos cintilantes disputando a atenção alheia, e que, levando o tempo necessário, se aproximavam a cada instante mal vivido, pacientemente: o autocarro deslocando-se sobre a ponte, de encontro a uma cidade viva; e uma cidade ansiosa por viver, mergulhando-se no rio de encontro a um tempo que já existiu.
Uma lua dourada, pequena, cresce timidamente diante dos seus olhos, grandes. A música faz-se sentir e o momento acontece: na plenitude traída, a felicidade é cimentada, caiada: E aí, aí surge vida.
01 outubro, 2008
Da Imperfeição.
Chora. Chora tudo. Não guardes em ti, para ti, nem uma lágrima. Grita. Faz-te ouvir. Fá-los ouvir. Porque ninguém se importa realmente. Porque ninguém chorará contigo, em ti, por ti. Cada um chorará por si. Lamentará por si. Revolta-te. Revolta-te por chorares por eles, para eles, por ti, e sempre só para ti. E chora. Chora por teres que chorar, por ti, por eles. Faz entoar dentro de ti os ultimatos, as razões e as respostas: A culpa. Chora a culpa, que é só tua, por teres de chorar: Fraca. És fraca. Por isso é que choras. Não é por eles, nem por ti é. Esqueceste-te de porque choras. Ninguém irá ouvir. Fraca. Pára de chorar.
30 setembro, 2008
Sou.
Um misto de vontade e submissão.
Um fôlego de esperança, um arrebatamento de evidência.
Um pedaço arrancado e acorrentado ao peito.
Um desejo de ir e a promessa de ficar.
Uma resposta. Duas perguntas.
Uma cópia do vivido e consumado.
O desconsolo. O fogo retratado.
Todos os futuros, filhos de um só passado.
Um acorde. Uma palavra. Tantas vidas.
A folha. O vento. O instante interrompido.
Uma incerteza entre tantas certezas incertas.
Alguém que quer ser e não sabe como.
22 setembro, 2008
Outono
Quando a Eva me contou que te tinhas mudado eu não acreditei. Não que isso não pudesse acontecer, afinal a casa já não vai para nova, mas sempre achei que isso não estivesse nos teus planos, pelo menos por agora. Pelo menos dessa maneira.
Cheirava a chuva e a pipocas doces. O ar estava despropositadamente abafado. Ia a caminhar para o carro, quando uma voz inconfundível e familiar adivinha o meu nome. O rosto remetente sorria: uns olhos grandes, dos quais nunca consegui decifrar a cor, atravessavam-me, doces e desassossegados.
Ainda nessa manhã, como poderia ter sido noutra, como era em todas, eu olhei para ele. Desde o dia em que mo deste que o guardo naquela gaveta. Ofereceste-mo, mas não me explicaste como deveria cuidar dele. Já pensei em pô-lo num vaso de pé alto ao pé da orquídea e regá-lo, esperando que recuperasse o brilho de outrora, mas ele não me pareceu muito agradado com a ideia. Uma tarde destas, peguei-o com jeitinho e pendurei-o por uma corda na varanda, confiando que quando sentisse o ar e o aquecesse delicadamente, rejuvenescesse e se lembrasse dos seus tempos de glória e de ser imprescindível e admirado, por tudo quando é ser vivo, que era. Mas também não resultou. Resignada, voltei a guardá-lo na gaveta da mesinha de cabeceira: um Sol abatido, fosco, de raios franzinos, lamentando-se, em silêncio.
Ela não se apresentou. Sabia que não precisava apresentar-se, assim como sabia que eu nunca a tinha a visto, assim como sabia que eu não a conhecia, assim como sabia que eu sabia quem ela era. Contou-me como passou por ti e te cumprimentou e tu fingiste que ela não estava lá. Contou-me como te perguntou o que estavas a fazer e porque tinhas o carro carregado de tudo. Contou-me como tu a olhaste: olhar vazio, inundado em dúvidas construídas sobre certezas: umas que conheces, outras que nem tanto. Explicou-me como, sem palavras, lhe pediste que não fizesse mais perguntas e que te deixasse sozinho. Disse-me que estava preocupada, e foi-se embora. Não sei para onde foi, mas eu não esperei para ver.
Foi assim que soube que te tinhas mudado. Não te telefonei a perguntar porquê, nem para onde, porque ainda antes de partires, disseste-me que tinhas voltado. E há vazios que pressupõem a inexistência de perguntas.
De todas as vezes que por lá passei, olhando de forma mais ou menos discreta, mais ou menos convicta, de todas as vezes, encontrei a janela fechada e a persiana corrida, com apenas um palmo, o mesmo palmo, de janela descoberta até ao parapeito. E de todas essas vezes, atravessei a rua, devagar, e através da noite espreitei pela persiana quase fechada. Uma noite mais negra que a da rua vivia-se no interior da casa.
Foi tudo o que fiz e culpo-me por isso. Apenas por isso.
Há momentos perpétuos e instantes mágicos. Ou porque assim nasceram ou porque assim as pessoas o viveram. Há palavras quase perfeitas, que preenchem os dias de forma perfeita. Porque o dito não pode ser dado como não dito, quando é dito de forma quase perfeita, apenas porque perfeito nada o é.
E há pinturas resplandecentes que atraiçoam o olhar e o acusam de cegueira e de falta de autoria...
11 setembro, 2008
Pedaços
Antes que deixe de fazer sentido: também. Antes que se consuma, ou se reduza a pó, ou antes que o pó se derreta em formas esquivas e descuidadas. Antes que se arraste cambaleante para a inutilidade. Não: é porque já fez parte: já foi sinónimo, já foi definição. Mas hoje já não tem chão. Talvez não sejam boas razões…
Então, porque hoje é o dia de hoje. Está melhor?
09 setembro, 2008
Nove.
A espuma salgada fervilhava sobre a pele anestesiada, como um sangramento efusivo e descontrolado em contramão. O peito gelava, numa contagem decrescente de vida e crescente de liberdade. Não olhou para trás, porque esse caminho já o sabia de cor. Era em frente que queria ir. Era para baixo que o vazio sob os seus pés a levava. Foi quando a maré a trouxe: perfumada, decorada pelo luar: longe. Como um sopro asfixiante, sentiu-se elevada pelo colo da onda e envolvida no seu cobertor maternal: que em seus braços de frescura aconchegou-a, e perdeu-a para a escuridão. Para o nada. E é nessa altura que, à velocidade da luz, como um efémero arrepio, se sente vestida por um leve e incontornável arrependimento. Um som de pânico lhe percorre as entranhas. Sente os ouvidos esmagados pelo silêncio mergulhado. Os olhos suplicando por luz, fecham-se, contrariados pela evidência. O pensamento não existe: alivio. Pânico. Apenas porque tem de ser assim, movimenta os braços e as pernas em gestos largos e pouco decididos. Rendeu-se, mas não desistiu. Por fim desistiu, mas não perdeu a esperança. Sabe por que não a perdeu, mas não sabe por que a tem. Deixa-se levar pelo peso descoordenado do próprio corpo até à escuridão. Os pulmões gritando por vida pareciam querer rebentar dentro de si mesmos. Um ardor cortante a percorre por dentro. Vozes imperceptíveis sem remetente eclodem de todos os lados. Imagens mais que nítidas lamentam as escolhas. Rostos sãos e tristes relembram o que não volta. A dor de todas as horas que não renuncia…
Noite. Nove. Estrelas. Liberdade.
16 julho, 2008
10 julho, 2008
30 junho, 2008
IX
Mal abro a porta, sinto o cheiro a tinta fresca que percorre ainda a longa escadaria, de vidrais virados para poente. Percorremo-la devagar, prolongando a ansiedade, construindo os alicerces para as saudades que ainda estão para vir. – “Abre tu” -peço-te, estendendo-te a chave. Acedes ao meu pedido e descerras este nosso novo lar.
Ainda são muito poucos os móveis que a preenchem, dando-lhe um ar ainda mais espaçoso e arejado do que já realmente é. A escassa mobília de linhas direitas em tons cremes, condizendo com o pequeno sofá, parece em sintonia com o azul claro e disforme que perfaz duas das paredes da larga sala, numa das quais, uma enorme tela retrata um mar cristalino debruçando-se em ondas de espuma branca sob a límpida areia, como se vivo, despontasse da parede. O sol quente de fim do dia atravessa possante a grande janela de dobradiças brancas, ainda sem cortinas, espalhando seus raios firmes pelo chão luzidio. Desta janela, emerge uma comprida varanda sobre o jardim do prédio, recheado de amores perfeitos e rosas brancas. Abro o vidro até ao limite, para que o ar corrente que nos traz a rua nos encha de vida este nosso espaço.
Ficamos ali, olhando a rua e as pessoas que lhe dão um sentido. Respirando o sol que, sem pressas, se vai escondendo atrás do formoso chorão de galhos fartos. Sei que gostaste. Sinto-o. E isso é-nos suficiente.
A campainha toca... Como que quebrando o feitiço por obrigação.
Vou abrir. É ele. Uma voz hesitante de quem trespassou cercas privadas acaba por suspirar - “Desculpa se venho incomodar, não sei se estás acompanhada… Posso entrar? ”. Viro-me para trás, percorrendo com o olhar toda a sala. Vazia. Estendo o braço em sinal de recepção e um sorriso por escrever responde – “Estou sozinha. Entra.”
17 junho, 2008
10 junho, 2008
Quero.
Quero voltar. Quero continuar.
Não quero ter saudade.
Um dia.
Nesse dia, vais ler-te: insaciado, adormecido por entre as veredas espinhosas dos roseirais que plantaste. Fixarás o teu reflexo e descobrir-te-ás, estarrecido. Recordarás as pegadas que deixaste, desenhadas nos murais do ser insólito que repartiste entre teus submissos soldados. Já tarde, vais perceber o que te escrevo e porque te dirijo meus monólogos desencorajados. Não é por banalidades irresponsáveis. Não é por desejos carnais nem súplicas incoerentes. Não são declarações. Não são pedidos apaixonados, nem lamentos adolescentes. São frutos colhidos do mesmo ser, outrora rasgado e semeado em duas rectas perpendiculares, e que em portos ilusoriamente recuados fazem juramentos e quebram raízes que abatem a calçada. Abrem desvios pelo mato denso e palmilham descalços o inóspito firmamento. Destinos congénitos unidos erroneamente pela suposição. Um único caminho, percorrido a duplicar.
São estas as certezas de quem se lê de dentro para fora e se completa nas entranhas do que não é. Afinidades eloquentes entre vozes encanastradas, unidas e tecidas em quilómetros vastos de seda firme, pregadas nas palavras proferidas que carrego comigo, e nos silêncios que assentam na razão do que não foi uma escolha, mas que por louca obediência às crenças erigidas, se vive e permite, ainda que porventura sem saber, o alastramento da vida deste único ser.
08 junho, 2008
Música #5
Vinha a ouvir esta música no autocarro ainda agora (numa das muitas viagens que faço todas as semanas, já nem me lembro desde quando) e achei que seria uma boa música para vos deixar aqui. Gosto do dueto... Acho que são 2 vozes que se completam de uma forma muito especial. Só é pena não ser o videoclip, mas não deu para arranjar.
"Leve e que te beije, Meu anjo triste."
04 junho, 2008
Estado:
Revolta.
E, principalmente, porque há consciência disso.
Sabe-se como.
03 junho, 2008
VIII
Subitamente, o mais terno e suave dos toques me envolve e afaga as mãos entre as suas, acarinhando-as e enleando-as irreversivelmente entre seus laços de certas incertezas. E no mais confiante dos abraços me deixo desfalecer.
29 maio, 2008
Música #4
A música, porque sei que tem um significado especial para a minha irmã,
E porque eu também gosto muito.
Este video em particular, porque estes foram em tempos, sem dúvida alguma, um dos meus desenhos animados preferidos. =)
Ah! Especial atenção à parte do parque de diversões! xD É tão lindo =D
26 maio, 2008
Era uma vez uma consciência.
Então e a música? Uma verdadeira campeã nos penalties.
E o que o Rui não sabia é que afinal não se ama é quem ouve a mesma canção.
E não bebo. Olha se bebesse.
20 maio, 2008
19 maio, 2008
Recordações
A viver feliz e amigos encontrar.
Eu sou aquele que sabe os seus limites,
Resolver problemas não é coisa de aflitos.
Aprender pode ser divertido
Nas brincadeiras deves ter maneiras
É importante saber comunicar
E falar das nossas emoções
Arranjar formas de negociar,
Há que não ter medo de ter medo
Pensa pela tua cabeça e aprende a dizer não!
Eu sou aquele que te quer ensinar
A viver feliz e amigos encontrar.
Eu sou aquele que sabe os seus limites
Resolver problemas não é coisa de aflitos. "
14 maio, 2008
VII
Não obstante que a primeira vez que viria a entrar num comboio ainda estivesse para vir passados uns longos meses, bem como nunca tenha estado sequer numa estação à espera de alguém conhecido, o som do comboio em movimento sobre os pesados e imortais carris, sempre me transmitiu uma sensação inexplicavelmente mágica e nostálgica. Como se noutra vida tivesse presenciado com desgosto a partida de alguém querido, para algum lugar distante e insondado. Como se a dor de o ver partir trespassasse a própria morte e encarnasse em mim com a mesma crueza e sensibilidade. Como se a mágoa do adeus não pertencesse apenas a um único ser, mas a duas almas castigadas: à que partia, e à que via partir. Como se cada vez que começasse a ouvir ao longe o ruído penetrante e repetido da locomotiva, meu coração tomasse esse ritmo como sendo o seu e, em uníssono com a melodiosa e incessante batida férrea, me tirasse o fôlego e me largasse desmoronada sobre o chão de pedra áspero junto à porta da tua casa.
Aproximo-me da berma do passeio e debruço-me sobre as linhas negras e enferrujadas. Vejo-as estremecer num ritmo crescente e miraculosamente coordenado com o zunido que antes ouvira distante e que agora se aproxima de mim a uma velocidade vertiginosa. Num abraço sem reservas o vento solto empurra-me para trás, quase me derrubando, enquanto meus olhos se fixam questionados, no comboio que se atravessa soberano, a centímetros de mim.
Vigorosa e sem remorsos, a chuva começa a cair.
06 maio, 2008
VI
Cai a noite. Um céu uniformemente pincelado de um azul infinito nos preenche a vista incansavelmente fascinada por cada ponto luminoso semeado por mãos sábias, aqui e ali pelas estradas da imensidão, tão pequena aos nossos olhos.
Acomodada no meu cantinho no banco de trás do carro, irremediavelmente junto à janela, vasculho entre as estrelas a protagonista da minha canção.
O rádio toca. A música quando ouvida á noite sempre teve um sabor especial. Uma arte que nos envolve e absorve, transportando-nos para lugares sem gente que Deus se esqueceu de criar.
Ao meu lado, na sua pequena e confortável cadeirinha, está a minha irmã, atenta ao que os meus pais nos lugares da frente estão a conversar, como se tentasse decifrar aquela linguagem estranha que os adultos insistem em utilizar para comunicarem. Mas o embalo do carro em movimento, por mais curta que seja a distância, é o suficiente para que logo desista de tentar desvendar aquele estranho diálogo, e feche aos poucos os seus pequenos, e já tão profundos olhinhos, adormecendo na sua tão feliz inocência.
Abro o vidro. Apesar de derradeiro, o verão ainda deixa dissipadas na aragem suas fragrâncias quentes e reconfortantes. Deixo o ar correr abruptamente para o interior do veiculo, como que buscando na sua impetuosidade ao cruzar com a minha cara, uma inspiração superior, uma fortaleza para as minhas crenças, tão infantilmente desenhadas. Enfeitiçada, deixo-me enredar na sua frescura densa e levito até às estrelas… -Fecha o vidro, ainda te constipas – interrompe-me a minha mãe. Contrariada, regresso à terra e lentamente rodo o manípulo, fechando o vidro.
A escola recomeçou faz poucos dias. Não que esta seja o meu lugar favorito, mas até fiquei contente que as férias acabassem. Já estava há demasiado tempo em casa sem saber o que fazer, e a minha mãe cansada de ouvir-me dizer que não sabia o que fazer! A única hora de que eu realmente gostava nas férias de verão era o fim da tarde quando podia ir para a rua brincar com as outras crianças minhas vizinhas e amigas das brincadeiras. Tirando isso, e mais ainda para quem ainda não conhece o verdadeiro trabalho escolar, sempre achei as férias de verão demasiado longas… Principalmente desde que te conheci.
Repito vezes sem conta a parte da letra já criada, fruto da noite e sem o papel como testemunho, para que numa próxima viagem a recomece no ponto onde a deixei, num ritmo que é só meu, numa página nas memórias da criança que um dia fui, num destino por mim traçado e fielmente consumado, até hoje.
05 maio, 2008
Música #2
"Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raíz
Da vida que nos juntou."
"E se vocês
não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou."
É loucura, ouço dizer...
29 abril, 2008
Ligação
Lembrei-me desta frase no outro dia, quando pensava na intemporalidade das cicatrizes que nos amarram em portos de outrora, guardando promessas eternas, destinadas a ser aniquiladas. Resta saber por quem.
Mas o mais irónico, é o não haver surpresas face a esta destruição, tão descaradamente pré meditada. Há um lamento, mas um lamento resignado.
Uma realidade traçada que me esfumou a necessidade, oprimiu a vontade, e que, como se tivessem ganho vida, afastou-me os dedos do teclado, calando dentro de mim a súplica por uma palavra de coragem, renunciando o direito à amizade prometida.